quarta-feira, 30 de julho de 2014

"A origem de todos os nossos males está em nossa falta de saber e em nossa inferiorid​ade moral. Toda a sociedade permanecer​á débil, impotente e dividida durante todo o tempo em que a desconfian​ça, a dúvida, o egoísmo, a inveja e o ódio a domina"

Desconsiderar, sem estudo e reflexão, os argumentos e experimentos dedicados à espiritualidade (conceito presente em todas as sociedades humanas, desde as cavernas) é tão irracional quanto aceitar a fé cega - baseada em dogmas não analisáveis - com que as religiões engessam as mentes dos crédulos. De minha parte busco tratar com honestidade todos os subsídios ao conhecimento também nesta área de aprendizagem. Tem sido meus principais mentores intelectuais neste esforço: Allan Kardec, Leon Denis e Herculano Pires.


Inspirado pela leitura de:
 
·  O Porquê da Vida (FEB) - Léon Denis
·  O Problema do Ser, do Destino e da Dor (FEB) - Léon Denis
·  Socialismo e Espiritismo (O Clarim) - Léon Denis
 
Vindo da leitura de:
 
·  Introdução à Filosofia Espirita - Herculano Pires (Paidéia)
·  O Reino - Herculano Pires (Paidéia)
 
 
 
Deste ponto de vista repetimos que o socialismo teria um grande papel a desempenhar. Este seria o de fazer penetrar na alma do povo, o culto da beleza intelectual e moral, sob formas simples, porém capazes de reagir contra esses prazeres malsãos em que o espírito se corrompe, em que o gosto se perverte. Seria o de elevar o pensamento para o ideal onde converge toda a evolução universal, para as alturas onde irradiam a luz, a verdade, a bondade. Pois não basta assegurar o bem estar material, é preciso também dar ao homem a força moral que o sustentará nas provas, nos revezes, nas moléstias, como diante da morte daquele que ele amou.

Todas as vantagens materiais, os maiores salários não são suficientes para preservar o homem do desencorajamento, do desespero nas horas dolorosas, por exemplo, quando ele descer à tumba o caixão mortuário daqueles que lhe foram queridos; quando ele se sente atingido em seus sentimentos íntimos, em seus afetos mais profundos.

Não há doutrina que possa nos trazer tanta consolação e reconforto quanto o novo espiritualismo, pois ele nos demonstra que tudo sobrevive para evoluir. As almas que nos antecederam no Além,  guardam nos os tesouros de sua ternura, nos protegem, nos assistem em circunstâncias difíceis e nós as encontraremos um dia para percorrermos juntos novas etapas ascensionais. Podemos mesmo obter provas de sua sobrevivência e do interesse que continuam a ter para conosco.

Muitas vezes notei que o trabalho manual, para a maioria dos operários é puramente maquinal e deixa toda a liberdade ao pensamento. Se este fosse regularizado, disciplinado, orientado para um fim elevado, ele poderia tornar-se um meio poderoso de aperfeiçoamento para o indivíduo e por reflexo sobre todo o meio ambiente, enquanto que o pensamento flutua quase sempre sobre assuntos pueris e vãos, perdendo assim todo seu poder educativo e social.

Assim como o adágio da sabedoria oriental: “Somos o que pensamos”, aquele que fala e age segundo um pensamento puro, a felicidade segue-o como sua sombra. Mas os ocidentais não sabem administrar o jogo de suas faculdades e esta é a razão porque a existência é muitas vezes tão estéril para o seu avanço. Eles vieram a Terra para aqui se engrandecer intelectual e moralmente, e, daqui saem como chegaram sem cuidar de suas recaídas possíveis, renascimentos em meios grosseiros e inferiores, onde as tarefas serão mais penosas e mais rigorosas.
A lei sobre a jornada de oito horas, oferece ao operário mais lazeres para o trabalho intelectual e a cultura do Eu. Que ele saiba disso tirar partido; é preciso não perder de vista que nossas responsabilidades se medem pela extensão de nossa liberdade e de nossos meios de ação. E isto se aplica aos homens de todas as classes e de todas as condições.

E preciso que todos aprendam a desprender, por vezes, seus espíritos dos burburinhos terrestres, a lançar seus olhares para os vastos horizontes onde o destino chama, sem o que arriscariam se reencontrar, para além da tumba, no estado de tantos humanos descuidados da lei moral, isto é, em um estado prolongado de perturbação, de inquietude e de obscuridade.

Pois, não se precisaria tornar a dizer, toda a destinação do ser, às condições de sua vida futura, sua situação no além, tudo é regido por uma lei imanente que traz em si mesma sua sanção. O homem por seus atos, faz nele, em sua alma, a luz ou a treva.

Esta lei imanente, que não é senão a lei moral, não é, pois, o resultado de uma convenção terrestre, porém qualquer coisa de mais alto e maior, o reflexo do pensamento divino, a forma suprema da beleza eterna. Apenas através dela chegaremos a triunfar sobre os baixos instintos e forças inferiores, a orientar nossas forças a uma finalidade sempre mais elevada. Através dela nos sentimos livres e responsáveis, verdadeiramente filhos de Deus, Dele emanados e destinados a ele retornar.
                                                                                                                                    Página 31 / 32 – Léon Denis - Socialismo e Espiritismo
 
Léon Denis (Foug, 1 de janeiro de 1846 - Tours, 12 de Abril de 1927) foi um filósofo, médium e um dos principais continuadores do espiritismo após a morte de Allan Kardec, ao lado de Gabriel Delanne e Camille Flammarion. Fez conferências por toda a Europa em congressos internacionais espíritas e espiritualistas, defendendo ativamente a ideia da sobrevivência da alma e suas conseqüências no campo da ética nas relações humanas.
 
Autodidata, tendo mostrado inclinações literárias e filosóficas, aos 18 anos travou contato com O Livro dos Espíritos e tornou-se adepto da Doutrina Espírita. Desempenhou importante papel na sua divulgação, enfrentando as críticas do positivismo materialista, do ateísmo e a reação do Catolicismo. Foi ainda membro atuante da Maçonaria
 
 
 
Nascimento: Foug, França - 1846
Falecimento: Tours, França - 1927

Léon Denis nasceu numa aldeia chamada Foug, situada nos arredores de Tours, em França, a 1 de Janeiro de 1846, numa família humilde.

Cedo conheceu, por necessidade, os trabalhos manuais e os pesados encargos da família.

Não era seu hábito desperdiçar um minuto sequer de seu tempo, com distrações frívolas, às quais a maior parte dos homens recorre para matar as horas.

Desde os seus primeiros passos neste mundo, sentiu que os amigos invisíveis o auxiliavam. Ao invés de participar em brincadeiras próprias da juventude, procurava instruir-se o mais possível. Lia obras sérias, conseguindo assim, com esforço próprio desenvolver a sua inteligência. Tornou-se um autodidacta sério e competente. Aos 12 anos concluiu o curso primário, mas a situação modesta da sua família não lhe permitiu grandes estudos. Desde cedo teve problemas de saúde física: com os olhos principalmente. Aos 16 anos salientou-se como um dos melhores oradores e ardente propagandista.

Aos 18 anos tornou-se representante comercial da empresa onde trabalhava, facto que o obrigava a viagens constantes, situação que se manteve até à sua reforma e manteve ainda depois por mais algum tempo. Adorava a música e sempre que podia assistia a uma ópera ou concerto. Gostava de dedilhar, ao piano, árias conhecidas e de tirar acordes para seu próprio devaneio.

Não fumava, era quase exclusivamente vegetariano e não fazia uso de bebidas fermentadas. Encontrava na água a sua bebida ideal.

Era seu hábito olhar, com interesse, para os livros expostos nas livrarias. Um dia, ainda com 18 anos, o chamado acaso fez com que a sua atenção fosse despertada para uma obra de título inusitado. Esse livro era “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec.

Dispondo do dinheiro necessário, comprou-o e, recolhendo-se imediatamente ao lar, recolhendo-se imediatamente ao lar, entregou-se com avidez à leitura. O próprio Denis disse: “Nele encontrei a solução clara, completa e lógica, acerca do problema  universal. A minha convicção tornou-se firme. A teoria espírita dissipou a minha indiferença e as minhas dúvidas”. O seu espírito, nessa hora, sentiu-se sacudido em face dos compromissos assumidos no Espaço, para iniciar, em breve, o trabalho de propagação das verdades Kardecianas.

Como tantos outros” - disse ele - “procurava provas, factos precisos, de modo a apoiar a minha fé, mas esses factos demoraram muito a chegar. A princípio insignificantes, contraditórios, mesclados de fraudes e mistificações, que não me satisfizeram, aponto de, por vezes, pensar em não mais prosseguir as minhas investigações. Mas, sustentado, como estava, por uma teoria sólida e de princípios elevados, não desanimei. Parece que o invisível deseja experimentar-nos, medir o nosso grau de perseverança, exigir certa maturidade de espírito antes de entregar-nos aos seus segredos”.
(...)

FRASES DE LÉON DENIS                     
     Nenhuma obra humana pode ser grande e duradoura se não se inspirar, na teoria e na prática, em seus princípios e em suas explicações, nas leis eternas do Universo. Tudo o que é concebido e edificado fora das leis superiores se funda  na areia e desmorona.  

     A origem de todos os nossos males está em nossa falta de saber e em nossa inferioridade moral. Toda a sociedade permanecerá débil, impotente e dividida durante todo o tempo em que a desconfiança, a dúvida, o egoísmo, a inveja e o ódio a dominarem. Não se transforma uma sociedade por meio de leis. As leis e as instituições nada são sem os costumes, sem as crenças elevadas. Quaisquer que sejam a forma política e a legislação de um povo, se ele possui bons costumes e fortes convicções, será sempre mais feliz e poderoso do que outro povo de moralidade inferior.  

     Sendo uma sociedade a resultante das forças individuais, boas ou más, para se melhorar a forma dessa sociedade é preciso agir primeiro sobre a inteligência e sobre a consciência dos indivíduos.  

     Os espíritos de escol professam o Niilismo metafísico, e a massa humana, o povo, sem crenças, sem princípios fixos, está entregue a homens que lhe exploram as paixões e especulam com suas ambições.   

     A educação, sabe-se, é o mais poderoso fator do progresso, pois contém em gérmen todo o futuro. Mas, para ser completa, deve inspirar-se no estudo da vida sob suas duas formas alternantes, visível e invisível, em sua plenitude, em sua evolução ascendente para os cimos da natureza e do pensamento.   
     A ciência moderna analisou o mundo exterior; suas penetrações no Universo objetivo são profundas; isso será sua honra e sua glória; mas nada sabe ainda do universo invisível e do mundo interior. É esse o império ilimitado que lhe resta conquistar. Saber por que laços o homem se liga ao conjunto, descer às sinuosidades misteriosas do ser, onde a sombra e a luz se misturam, como na caverna de Plutão, percorrer-lhe os labirintos, os redutos secretos, auscultar o eu normal e o eu profundo, a consciência e a subconsciência; não há estudo mais necessário. Enquanto as Escolas e as Academias não o tiverem introduzido em seus programas, nada terão feito pela educação definitiva da Humanidade.   
 
     Fé do passado, ciências, filosofias, religiões, iluminai-vos com uma chama nova; sacudi vossos velhos sudários e as cinzas que os cobrem. Escutai as vozes reveladoras do túmulo; elas nos trazem uma renovação do pensamento com os segredos do Além, que o homem tem necessidade de conhecer para melhor viver, melhor agir e melhor morrer!  

     O Espiritualismo moderno dirige-se principalmente às almas desenvolvidas, aos espíritos livres e emancipados, que querem por si mesmos achar a solução dos grandes problemas e a fórmula do seu Credo. Oferece-lhes uma concepção, uma interpretação das verdades e das leis universais baseada na experiência, na razão e no ensino dos Espíritos. Acrescente a isso a revelação dos deveres e das responsabilidades, única condição que dá base sólida ao nosso instinto de justiça; depois, com a força moral, as satisfações do coração, a alegria de tornar a encontrar, pelo menos com o pensamento, algumas vezes até com a forma, os seres amados que julgávamos perdidos. À prova da sua sobrevivência junta-se a certeza de irmos ter com eles e com eles reviver vidas inumeráveis, vidas de ascensão, de felicidade ou de progresso.

     Dia virá, em que todos os pequenos sistemas, acanhados e envelhecidos, fundir-se-ão numa vasta síntese, abrangendo todos os reinos da idéia. Ciências, filosofias, religiões, divididas hoje, reunir-se-ão na luz e será então a vida, o esplendor do espírito, o reinado do Conhecimento. 
  
     O Espiritismo não dogmatiza; não é uma seita nem uma ortodoxia. É uma filosofia viva, patente a todos os espíritos livres, e que progride por evolução. Não faz imposições de ordem alguma; propõe, e o que propõe apóia-se em fatos de experiência e provas morais; não exclui nenhuma das outras crenças, mas se eleva acima delas e abraça-as numa fórmula mais vasta, numa expressão mais elevada e extensa da verdade.   

     Em geral, a unidade de doutrina é obtida unicamente à custa da submissão cega e passiva a um conjunto de princípios, de fórmulas fixadas em moldes inflexíveis. É a petrificação do pensamento, o divórcio da Religião e da Ciência, a qual não pode passar sem liberdade e movimento.

     Esta imobilidade, esta inflexibilidade dos dogmas priva a Religião, que a si mesma as impõe, de todos os benefícios do movimento social e da evolução do pensamento. Considerando-se como a única crença boa e verdadeira, chega a ponto de proscrever tudo o que está fora dela e empareda-se assim numa tumba para dentro da qual quisera arrastar consigo a vida intelectual e o gênio das raças humanas.   

     O que o Espiritismo mais toma a peito é evitar as funestas conseqüências da ortodoxia. A sua revelação é uma exposição livre e sincera de doutrinas, que nada têm de imutáveis, mas que constituem um novo estádio no caminho da Verdade Eterna e Infinita. Cada um tem o direito de analisar-lhe os princípios, que apenas são sancionados pela consciência e pela razão. Mas, adotando-os, deve cada um conformar com eles a sua vida e cumprir as obrigações que deles derivam. Quem a eles se esquiva não pode ser considerado como adepto verdadeiro.

 
·  Dentre suas obras, destacam-se:
 
·         Cristianismo e Espiritismo (FEB)
·         Depois da Morte (FEB)
·         Espíritos e Médiuns (CELD)
·         Joana D'Arc, Médium (FEB)
·         No Invisível (FEB)
·         O Além e a Sobrevivência do Ser (FEB)
·         O Espiritismo e o Clero Católico (CELD)
·         O Espiritismo na Arte (Lachâtre)
·         O Gênio Céltico e o Mundo Invisível (CELD)
·         O Grande Enigma (FEB)
·         O Mundo Invisível e a Guerra (CELD)
·         O Porquê da Vida (FEB)
·         O Problema do Ser, do Destino e da Dor (FEB)
·         O Progresso (CELD)
·         Provas Experimentais da Sobrevivência
·         Socialismo e Espiritismo (O Clarim)
 

domingo, 8 de junho de 2014

É urgente rever o “Igrejismo” dos Centros Espíritas - fruto do “rebanhismo católico” do povo brasileiro

É urgente rever o “Igrejismo” dos Centros Espíritas - fruto do “rebanhismo católico” do povo brasileiro (que também afetou a organização dos grupos protestantes no Brasil - a Reforma pretendia o conhecimento dos ensinamentos cristãos, pela Razão, sem intermediários).

Conhecimentos cristãos deturpados pela “hierarquia da fé” da Igreja Romana (a cooptação dos movimentos cristãos, pelo Império dos Césares)

O movimento espírita daqui também foi capturado por esta “hierarquia da fé” representada pelos “funcionários” dos Centros Espíritas que não alcançaram o status de FACILITADORES e PROMOTORES do ESTUDO e da PESQUISA, visando manter vivo o Espiritismo como o diálogo fecundo entre Ciência, Filosofia e Espiritualidade, na exploração científica do fenômeno da espiritualidade humana - que está na raiz de todos os sistemas de reflexão sobre o sagrado - sistematicamente capturados pelas religiões a serviço dos poderes das sociedades.


Ciência da Totalidade: descrição e objetivos do blog

Ciência da Totalidade: estudo da percepção do pertencimento a um TODO [1]imanente [2] e transcendente [3] que acompanha a Humanidade desde as cavernas dos Neandertais [4]. E que induz à uma visão fraterna e orgânica sobre tudo o que existe, por passarmos a nos ver como componentes ou partes deste TODO (assim pode-se encarar tudo que existe (incluindo os Seres Vivos), como algo análogo a um [Átomo / Fóton-Quantum / Neurônio] contribuinte e dependente do bom funcionamento deste TODO). 

Em Português, pode-se denominar este estudo como Ciência do Espírito, sendo uma de suas vertentes o movimento iniciado pelo educador e pesquisador Allan Kardec [6] (um homem fruto do Iluminismo [7] – e, portanto, um cientista (que, em seus estudos, guia-se pela RAZÃO e não pela ) - sem orientação religiosa definida, já que discípulo de Pestallozzi [7] (que advogava que as crianças deviam aprender com a Natureza (Fatos) e nunca ser condicionadas por uma Religião (Crenças) em sua formação educacional. Pestallozzi, que por sua vez, foi discípulo de Rousseau [8])

(...) 


Reflexões sobre o Centro Espírita
http://www.oespiritismo.com.br/textos/ver.php?id1=375

Autor: J. Herculano Pires

(...)


Temos no Brasil – e isso é um consenso universal – o maior, mais ativo e produtivo movimento espírita do planeta. A expansão do Espiritismo em nossa terra é incessante e prossegue em ritmo acelerado. Mas o que fazemos, em todo este vasto continente espírita, é um imenso esforço de igrejificar o Espiritismo, de emparelhá-lo com as religiões decadentes e ultrapassadas, formando por toda parte núcleos místicos e, portanto fanáticos, desligados da realidade imediata. Dizia o Dr. Souza Ribeiro, de Campinas, nos últimos tempos de sua vida de lutas espíritas: "Não compareço a reuniões de espíritas rezadores! "E tinha razão, porque nessas reuniões ele só encontrava turba dos pedintes, suplicando ao Céu ajuda.

Ninguém estava ali para aprender a Doutrina, para romper a malha de teia de aranha do igrejismo piedoso e choramingas. A domesticação católica e protestante criara em nossa gente uma mentalidade de rebanho. O Centro Espírita tornou-se uma espécie de sacristia leiga em que padres e madres ignorantes indicavam aos pedintes o caminho do Céu. A caridade esmoler, fácil e barata, substituiu as gordas e faustosas doações à Igreja. Deus barateara a entrada a entrada do Céu, e até mesmo os intelectuais que se aproximam do Espiritismo e que tem o senso crítico, se transformam em penitentes. Associações espíritas, promissoramente organizadas, logo se transformam em grupos de rezadores pedinchões. O carimbo da igreja marcou fundo a nossa mentalidade em penúria. Mais do que subnutrição do povo, com seu cortejo trágico de endemias devastadoras, o igrejismo salvacionista depauperou a inteligência popular, com seu cortejo de carreirismo político – religioso, idolatria mediúnica, misticismo larvar, o que é pior, aparecimento de uma classe dirigente de supostos missionários e mestres farisaicos, estufados de vaidade e arrogância. São os guardiães dos apriscos do templo, instruídos para rejeitar os animais sacrificiais impuros, exigindo dos beatos a compra de oferendas puras nos apriscos sacerdotais. Essa tendência mística popular, carregada de superstições seculares, favorece a proliferação de pregadores santificados, padres vieiras sem estalo, tribunos de voz empostada e gesticulação ensaiada. Toda essa carga morta esmaga o nosso movimento doutrinário e abre as suas portas para a infestação do sincretismo religioso afro-brasileiro, em que os deuses ingênuos da selva africana e das nossas selvas superam e absorvem o antigo e cansado deus cristão.

Não há clima para o desenvolvimento da Cultura Espírita. As grandes instituições Espíritas Brasileiras e as Federações Estaduais investem-se por vontade própria de autoridade que não possuem nem podem possuir, marcadas que estão por desvios doutrinários graves, como no caso do roustainguismo da FEB e das pretensões retrógradas de grupelhos ignorantes de adulterados. Teve razões de sobra André Dumas, do Espiritismo Francês, em denunciar recentemente, em entrevista à revista Manchete, a situação católica e na verdade de anti-espírita do Movimento Espírita brasileiro. A domesticação clerical dos espíritas ameaça desfibrar todo o nosso povo, que por sua formação igrejeira tende a um tipo de alienação esquizofrênica que o Espiritismo sempre combateu, desde a proclamação de fé racional contra a fé cega e incoerente, submissa e farisaica das pregações igrejeiras.

Jesus ensinou a orar e vigiar, recomendou o amor e a bondade, pregou a humanidade, mas jamais aconselhou a viver de orações e lamúrias, santidade fingida, disfarçada em vãs aparências de humildade, que são sempre desmentidas pelas ambições e a arrogância incontroláveis do homem terreno.

Para restabelecermos a verdade espírita entre nós e reconduzirmos o nosso movimento a uma posição doutrinária digna e coerente, é preciso compreender que a Doutrina Espírita é um chamado viril à dignidade humana, à consciência do homem para deveres e compromissos no plano social e no plano espiritual, ambos conjugados em face das exigências da lei superior da Evolução Humana. Só nos aproximaremos da angelitude, o plano superior da Espiritualidade, depois de nos havermos tornado Homens.

(...)

Kardec Está Ultrapassado

Titulo adaptado por Francisco Amado

(...)

Se os livros de Jean Baptiste Roustaing tivessem ficado na França, possivelmente logo teriam desaparecido. Mas eles vieram parar no Brasil e, por meio de uma série de acontecimentos ligados ao nascimento do Movimento Espírita, tornaram-se o próprio espírito do sistema.

Tudo começou na gênese da Federação Espírita Brasileira - FEB. Quando os primeiros grupos espíritas estavam se formando, alguns deles já possuíam as obras de J. B. Roustaing. Numa sessão histórica, ocorrida em fevereiro de 1889 na Sociedade Espírita Fraternidade, no Rio de Janeiro, o médium Frederico Pereira da Silva recebeu uma mensagem que fora assinada pelo Espírito do próprio Codificador. Dentre outras incoerências ditadas pela entidade, o suposto Allan Kardec dizia que um Espírito chamado Ismael iria guiar o Movimento Espírita Brasileiro.

Iniciavam-se assim, as distorções no sistema espírita nascente. A metodologia kardequiana e as instruções de Allan Kardec para estruturarem o Movimento Espírita começavam a ser deixadas de lado. O comando do movimento seria passado a uma entidade e, no lado material, sua direção estaria entregue a uma só casa espírita, que assumiu o papel de Comitê Central, sem no entanto guiar-se pelas suas regras. Nascia o embrião da FEB, chamada depois de Casa Máter do Espiritismo e eleita por seus seguidores como a representante do Cristo na Terra.

Ninguém percebeu, mas o espírito do sistema espírita assemelhava-se ao Catolicismo que, também a seu modo, dizia representar Deus na Terra. Neste tempo, havia desentendimentos entre os grupos espíritas sobre as práticas e os delineamentos em torno do futuro. Alguns centros, denominados "científicos", preferiam um Espiritismo mais objetivo e prático. O grupo sob a influência de Ismael, no entanto, não pensava assim. Como era místico, preferia uma conduta mais voltada à religiosidade. Logo tratou de convencer uma importante figura da época a passar para suas fileiras. Tratava-se de Bezerra de Menezes. Com a ajuda dele, a FEB conseguiu dominar a maioria das sociedades espíritas.

Bezerra era um homem ponderado e político. Por ter saído recentemente das fileiras católicas, adaptou-se rapidamente ao misticismo de Ismael. Os principais centros espíritas da época estudavam as teorias kardequianas, mas os místicos tinham uma especial atenção com os Evangelhos de Roustaing, porque os consideravam um "curso superior" de Espiritismo. Allan Kardec passou então a ser interpretado à luz do pensamento roustainguista.

(...)

A comunicação de Allan Kardec, dada através do médium Frederico, era apócrifa. Porém, por falta de espírito crítico, todos a aceitaram, pensando tratar-se mesmo de uma mensagem do Codificador. Na verdade, manifestava-se o espírito Ismael, ligado ao círculo de idéias de J. B. Roustaing. O Espírito preparava o terreno para estabelecer um campo de atuação imenso, a conhecida "Seara de Ismael". Encontrando nos brasileiros profundas raízes católicas, não teve dificuldades para criar uma espécie de "catolicismo espírita".

(...)

Através da Federação Espírita Brasileira - FEB, Ismael aproximou-se de Francisco Cândido Xavier, o famoso médium de Uberaba, MG, e ditou-lhe uma obra que seria o corolário do "Trono de Deus" na Terra: "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho". Embora com o nome do respeitável Humberto de Campos (Irmão X) para impor-se com mais facilidade, as idéias exaradas são as mesmas. Qualquer observador que lê "Lázaro Redivivo" e "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho" nota que eles foram escritos por dois Espíritos de características diferentes, principalmente quanto ao caráter. O suposto "Irmão X", do "Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", faz pura apologia à FEB, e cria a lenda de Ismael, para deleite de seus seguidores. Foi assim que nasceu o livro que faria os espíritas acreditarem que o Brasil estava destinado a governar o mundo. Por trás dessa obra estava a FEB; atrás dela, o Grupo Ismael e, no invisível, o "anjo" com sua falange.

(...)

A força dos livros psicografados, corroborada pela exemplar idoneidade de Francisco Cândido Xavier, tornou-se poderosa alavanca para a expansão das idéias ismaelinas. Formou-se o sistema espírita que conhecemos, com características eminentemente católicas. Hoje, o espírito de Roustaing continua mais presente do que nunca. Pode-se encontrá-lo na mentalidade de algumas federações, nas atitudes passivas dos espíritas, na falta de gosto pelo estudo, no pouco conhecimento doutrinário, nas palavras vazias de oradores pomposos, na política unificacionista (uma versão moderna do "Fora da Igreja não há salvação") e na imprensa espírita com suas gloríolas e ídolos. Os que afirmam não compreender a causa de tantas preocupações com a teoria roustainguista, não percebem que estão mergulhados nela, dirigidos por um sistema espírita entranhado por inércia, comodismo, fantasias e estagnação, emperrando o crescimento espiritual das criaturas.

O sistema de pensamento e investigação desenvolvido por Allan Kardec é o grande ausente no Movimento Espírita. No final de sua vida, o Codificador estava só. Alguns detratores seus, que se diziam espíritas, afirmavam que ele queria apoderar-se da verdade e se fazer dono do Espiritismo. Jean Baptiste Roustaing e seus seguidores estavam entre eles.

Pouco antes de desencarnar, o Codificador começou a preparar instruções para salvaguardar o movimento nascente de falsas interpretações. Não chegou a terminar seu trabalho. Quando se lê seus últimos apontamentos, nota-se, com tristeza, que suas preciosas instruções sobre a condução do Movimento Espírita jamais foram seguidas por seus adeptos. Bom número deles sequer conhece suas obras, instrui-se em livros subsidiários nem sempre idôneos e, frequentemente, é vítima de Espíritos enganadores.

Mudar essa mentalidade vigente, conduzindo parte desses seguidores de Allan Kardec ao encontro das instruções do Codificador do Espiritismo, é tarefa urgente. Espera-se que os espíritas sérios reunam forças em torno desse ideal.Hoje, diversos grupos no país que buscam restabelecer essa base doutrinária.

Na cidade de São José do Rio Preto, Sp, existe o Movimento de Reformas. Sua proposta é a de estimular os centros espíritas a se ajustarem conforme as orientações da Codificação, fazendo com que se instale neles o gosto pelo estudo, pelo raciocínio, pela investigação mediúnica e pelo trabalho metódico.

Nota: Os que não concordam com estes escritos certamente nos julgarão entregues às trevas e a serviço do mal. De nossa parte, continuaremos exercendo nosso direito de livre exame, analisando fatos, tirando conclusões, como discípulos da escola kardequiana que somos.

AUTOR: Josué de Freitas
Fonte: http://oblogdosespiritas.blogspot.com/




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